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8 de março: Regional Tocantins discute enfrentamento à crimes ambientais com mulheres do Maranhão e Pará




O Movimento Interestadual de Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) Regional Tocantins recebeu as regionais Imperatriz e Pará para partilhar o Dia Internacional da Mulher, nos dias 7 e 8 de março. O evento aconteceu na Escola Estadual Joaquim Theotônio Segurado, na Comunidade Sumaúma, no município de Sítio Novo, e contou com uma programação recheada de informação, discussão e construção social.


Foram dois dias de luta e festa, pois, como lembrou dona Francisca Pereira Vieira, coordenadora de Base da Regional Tocantins, "para que hoje as mulheres possam usufruir de direitos e impor a sua voz, muitas outras lutaram antes de nós".


Até mesmo a juventude estava envolvida nessa atividade. É o que conta a jovem Taslane da Conceição Carneiro, da Comunidade Cuverlandia, que participou do último curso para as juventudes do Centro de Formação do MIQCB. Experiência esta que a fez se envolver mais com as pautas discutidas nas comunidades. “Hoje tenho ainda mais consciência sobre a importância das juventudes das comunidades protetoras da Floresta de Babaçu para a sociedade. A nossa opinião importa, por isso é que passamos a lutar junto com as mulheres”.


Para Cledeneuza Maria, diretora financeira do MIQCB e coordenadora executiva da Regional Pará, a ideia de unir as três regionais tem o propósito de reforçar a união do MIQCB. “Nós queríamos atingir maior número de mulheres para que mais pessoas se envolvam com o movimento, que reconheçam os valores das quebradeiras, valorizem o nosso trabalho e a Floresta de Babaçu”, afirmou ela.


A diretora da Escola Estadual Joaquim Theotonio Segurado, Francisca Milda, disse ter ficado feliz com a presença do MIQCB na comunidade, além de apoiar as discussões propostas junto aos discentes e docentes. “O que a gente mais queria era que todos participassem. A vivência que essas mulheres trouxeram faz parte da rotina dos pais dos nossos alunos. Foi uma forma de conhecer a realidade que as famílias enfrentam enquanto os filhos estudam”.


Cartografia Social


No primeiro dia, os trabalhos iniciaram com a apresentação da cartografia social construída pelas próprias quebradeiras de coco. A Oficina de Mapeamento de Impactos aos Babaçuais e Instrumentos de Enfrentamento a Crimes Ambientais, ministrada pela coordenadora de projetos do MIQCB, Sandra Regina Monteiro, apontou a necessidade da continuidade da cartografia social na proteção da Floresta de Babaçu.


Em 2015, o MIQCB fez um trabalho conjunto com as universidades e produziu um mapa, coordenado pelo professor Alfredo Wagner de Almeida. Nele, há identificação das unidades produtivas, das comunidades, os grandes empreendimentos que impactam na vida delas, como a monocultura de eucalipto e soja, além das carvoarias; que impactam na quebra do coco, no preço da amêndoa e dos produtos. “Tem propriedades que colocam cercas elétricas, que impedem as mulheres de acessar a palmeira, tudo isso é identificado no mapa”, como relatou Sandra.


O mapeamento serve para identificar os impactos negativos e positivos das atividades relacionadas ao meio ambiente. “Tudo o que acontece dentro das comunidades deve ser mapeado para que as quebradeiras de coco possam ter melhor noção do que fazer para tomar providências cabíveis ou ampliar aquilo que é positivo”, ressaltou Sandra. A ideia é pensar em instrumentos ambientais que possam contribuir para diminuir ou lidar com esses impactos.


Depois do almoço, a oficina passou para a prática. Três grupos foram separados para que pudessem discutir entre si. O intuito desse momento é proporcionar troca de vivências e realidades territoriais diferentes. Mulheres do Maranhão, Pará e Tocantins puderam compartilhar informações sobre suas comunidades para identificar pontos em comum e planejarem soluções conjuntas ou pontuais.


Sandra explica que esse momento é crucial. Chamado de diagnóstico, são as próprias mulheres que devem apontar o caminho a seguir. “É importante que os instrumentos ambientais sejam discutidos pela comunidade. Além daqueles que já precisamos seguir, como as legislações e protocolos ambientais, o grupo dialoga e aponta soluções. Se tem problemas, as próprias mulheres é que vão dizer onde estão localizados”.


Como resultado das discussões das questões climáticas, ambientais e sociais que vivenciam em suas comunidades, as mulheres apresentaram diagnóstico socioambiental dos Grupos de Trabalho com o objetivo de encontrar instrumentos capazes de perpetuar boas práticas, desenvolver novas alternativas de proteção à Floresta de Babaçu e inibir/denunciar os crimes ambientais nos territórios.



Lançamento da Campanha Tem Floresta em Pé, Tem Mulher


Na manhã do segundo dia de evento as mulheres apreciaram o curta metragem que marca o início da Campanha. O documentário já está disponível na página oficial do MIQCB no Youtube. Assista o registro que expõe a luta dessas mulheres em defesa da Mãe Palmeira aqui.


Saúde Mental e Autocuidado


Conduzido pela psicóloga Juliana Lima Filgueira, que atua no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) de Sítio Novo, a palestra sobre Saúde Mental e Autocuidado foi dedicada a esclarecer dúvidas das mulheres, além de orientações pontuais relatadas por elas. O espaço de conhecimento e escuta foi utilizado como instrumento de apoio ao combate às variadas violências contra a mulher.


Segundo Juliana, falar sobre saúde mental e autocuidado para mulheres é de extrema necessidade. “As mulheres estão acostumadas a cuidar da família, mas não têm se dedicado a cuidar de si. Os aspectos físico, emocional e espiritual adoecem quando negligenciados”.


A psicóloga convidada usou analogias simples para dividir seu conhecimento, como uma mala, onde carregamos nossas experiências. “A gente tem uma bagagem onde carregamos toda a nossa história. E a partir dessa história a gente forma o nosso ser. Nós precisamos aprender a descartar as experiências que não nos fazem bem, ou passaremos a vida carregando um peso desnecessário”.


As mulheres foram incentivadas a relatarem casos de violência e se prontificaram a formar uma rede de apoio umas para as outras. Juliana ficou impressionada com a força das mulheres participantes. “Foi ótimo poder dividir esse espaço com cada uma delas. Oportunidade como essa, mais aprendo do que ensino, tanto pelas experiências, quanto pela bagagem da vida que é compartilhada”.


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