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Miqcb e Oxfam Brasil ministram oficina sobre Mulheres, Racismo Ambiental e Mudanças Climáticas

Atualizado: 26 de jul. de 2023



Quando falamos em racismo ambiental, estamos questionando como e por que algumas populações sofrem mais as consequências das mudanças climáticas do que outras. Estamos afirmando que as desigualdades socioeconômicas são acentuadas com a crise climática e que são as populações periféricas e de baixa renda, em sua maioria negras, que enfrentam as piores consequências dos eventos climáticos extremos, como chuvas excessivas ou secas severas.


Nesse sentido, o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu-MIQCB e a Oxfam Brasil realizaram oficina sobre Mulheres, Racismo Ambiental e Mudanças Climáticas durante o IX Encontrão das quebradeiras ocorrido entre os dias 12 a 14 de julho, em Augustinípolis-TO. Sandra Regina, coordenadora de projetos do Miqcb e Tauá Pires, coordenadora de Justiça Racial e de gênero da OXFAM Brasil conduziram os trabalhos.



Durante a oficinas as mulheres quebradeiras de coco babaçu relataram situações que caracterizaram fortemente o racismo ambiental nos territórios tradicionais. Foi relatado situações onde “lideranças na Baixada Maranhense sofrem ameaças de morte por lutar pela regularização de território quilombola, preservação dos campos naturais e a preservação dos babaçuais. Essas lideranças são obrigadas a deixar suas casas, seu modo de vida e seu território para viver em programa de proteção do Governo”, contou Rosa Gregória, quebradeira de coco da Regional Baixada Maranhense.



Ao longo da apresentação na Plenária, Tauá destacou algumas situações relatadas pelas mulheres durante a oficina. “Numa situação de enchente quem é mais prejudicado? São as casas ricas? Os condomínios? Com certeza a resposta é não. Os mais afetados pelas mudanças climáticas são as pessoas vulneráveis, as comunidades tradicionais e as pessoas não brancas. Isso tem a ver com mudanças climáticas e racismo ambiental”, pontuou Tauá.


Parceria- A oficina Mulheres, Racismo Ambiental e Mudanças Climáticas faz parte do projeto intitulado “Das Nices e Dijés — Mulheres das águas, do campo e da floresta”, idealizado pela Oxfam Brasil, em parceria com as organizações MIQCB, Coordenação Nacional de Articulação de Quilombos (Conaq) e Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS). A iniciativa busca dar visibilidade as mulheres da Amazônia e visa ampliar o espaço as lideranças femininas que lutam por questões de justiça de gênero.



Nesse sentido, a intenção do projeto é inserir quilombolas, extrativistas, quebradeiras de coco, babaçu e indígenas — que muitas vezes se tratam de mulheres negras e não brancas —, em mesas de negociação nacionais e internacionais de modo que essas mulheres tenham suas vozes reconhecidas e ouvidas em espaços de tomada de decisões e poder.


No Miqcb, Sandra Regina coordena o projeto “Das Nices e Dijés”. Durante a apresentação ela destacou que o Brasil precisa avançar urgentemente na construção e implementação de políticas públicas sociais e de infraestrutura que considerem as mudanças climáticas e o racismo ambiental – que é aquele que ocorre quando, por ação ou omissão, o poder público, instituições ou empresas negligenciam as condições de risco de vida das populações de baixa renda, em sua maioria negras, que se encontram em áreas de risco de desastres ambientais.


“Políticas como as de ordenamento territorial, regularização fundiária, construção de moradias dignas e prevenção de desastres ambientais têm que priorizar as comunidades mais vulneráveis”, finalizou.


Durante o IX Encontrão das Quebradeiras de Coco Babaçu, Tauá falou da importância de participar do evento destacou a parceria com o MIQCB.


“Para a Oxfam Brasil é um prazer está participando do IX Encontrão das quebradeiras de coco. Primeiro porque existe uma aposta muito grande que essa sociedade que a gente está almejando, seja uma sociedade mais justa, mais igualitária, mais solidária, menos desigual, depende desse tipo de mobilização que naturalmente é feito pela forma como as quebradeiras de coco se organizam e pensam esse futuro no tempo presente. Então fortalecer organizações como o Miqcb pra gente é muito importante porque o tema das mudanças e justiças climáticas é urgente para todo mundo. Então a ação das quebradeiras de coco babaçu, a forma como é feito o manejo sustentável é muito importante para esse discursão global”, declarou.



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