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Regional Pará é a primeira a realizar Encontrinho das quebradeiras de coco babaçu


O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (Miqcb), da Regional Pará deu a largada na realização dos Encontrinhos das quebradeiras de coco babaçu. A Regional realizou o evento neste sábado (03) e domingo (04), na quadra Poliesportiva Pequeno Cristo, em São Domingos do Araguaia-PA. Este ano, o Movimento realiza o 9º Encontrinho com o tema: quebradeiras de coco rompendo barreiras. Até o dia 20 de dezembro serão realizados encontrinhos nas Regionais Tocantins, Imperatriz-MA, Baixada Maranhense, Mearim/Cocais-MA e Piauí.



O evento reuniu mulheres quebradeiras de coco de nove comunidades dos municípios de São João do Araguaia, Brejo Grande do Araguaia, Palestina do Pará, Itupiranga, São Domingos do Araguaia, além de professores e estudantes da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa).


O Encontrinho foi um espaço para dialogar com as quebradeiras que estão nas bases, nas comunidades sobre os desafios, lutas e conquistas das mulheres quebradeiras da Regional.



Nos dois dias de evento foram discutidos temas relacionados ao meio ambiente, aos impactos do racismo ambiental e mudanças climáticas, falta de acesso aos babaçuais, derrubadas das palmeiras, mercados institucionais, bem como, a comercialização por meio da cooperativa das quebradeiras de coco, a importância da produção agroecológica, defesa dos territórios e vários temas que impactam diretamente o modo de vida das quebradeiras de coco babaçu.


A prefeita de São Domingos do Araguaia, Irene Silva participou no último dia de evento, no domingo, e a coordenadora executiva do Miqcb, Cledeneuza Maria aproveitou para cobrar a implementação da Lei Babaçu livre e a preservação dos babaçuais no município de São Domingos do Araguaia e nos municípios vizinhos.



“Estamos pedindo o apoio da prefeita e de autoridades que são responsáveis pelas questões de meio ambiente para nos ajudar na preservação dos nossos babaçuais. Nós quebradeiras de coco somos as protetoras do meio ambiente, nós não destruímos nada, nós preservamos, pois só pegamos o coco que estão no chão para sustentar nossas famílias. Por isso, estamos aqui para dizer que nosso município tem um grande potencial de babaçu que precisa ser preservado e respeitado”, concluiu, Cledeneuza Bezerra.



Um dos destaques do Encontrinho foi a eleição da coordenação Regional para os próximos quatro anos. Foram eleitas, Maria de Sousa, da Vila Tauri, município de Itupiranga e Maria de Fátima Rodrigues, da Vila Itamerim, município de Brejo Grande. As quebradeiras reeleitas foram: Roselice Rodrigues, da comunidade Ponta de Pedra do Araguaia, município de São João do Araguaia e Cledeneuza Maria, do município de São Domingos do Araguaia.



Nos trabalhos em grupo as quebradeiras denunciaram projetos que ameaçam e impactam suas comunidades, a exemplo da escassez de água, falta de acesso com estradas e transporte de péssima qualidade, carência em saneamento básico, precariedade na saúde, uso discriminado de veneno nas fazendas que afeta os rios, alimentação e os babaçuais das comunidades, fazendeiros queimam, cercam e derrubam os babaçuais afetando o trabalho das quebradeiras, a destruição do pedral do Lourenção e muitos outras agressões às comunidades tradicionais de quebradeiras de coco babaçu.


As mulheres também compartilharam práticas positivas que estão sendo desenvolvidas nas comunidades. Elas compartilharam como conseguiram colocar o pão e a farinha de mesocarpo na alimentação escolar, tecnologias simples desenvolvidas pelas quebradeiras para ajudar no processo produtivo dos produtos do babaçu, como a farinha de mesocarpo e diversas outras experiencias positivas que facilitam o trabalho das mulheres.



Outro ponto de destaque discutido no encontrinho foi sobre racismo ambiental e mudanças climáticas. A professora Margarida, da Unifesspa, contribuiu no evento explicando sobre o tema.


“Racismo ambiental e mudanças climáticas, um tem consequência no outro, se somam e produzem situações desumanas, de violência no dia a dia das mulheres quebradeiras de coco. São violências que a gente perde a dimensão porque é uma incidência atrás da outra, como a tomada das terras, queimadas, derrubadas e envenenamento dos babaçuais, chegada de siderúrgicas que disputa o coco inteiro para produção de carvão, exposição das mulheres às doenças, falta de políticas públicas. Tudo isso, que interfere no modo de vidas dessas mulheres que vivem do coco babaçu, consideramos como racismo ambiental”, enfatizou, Margarida.



Prestigiaram o evento as coordenadoras do Tocantins, Emílias Alves e Francisca Pereira Vieira, além da assessora de projetos, Sandra Regina, as coordenadoras do Pará Maria do Carmo Cardoso e Jucilene Rodrigues e a assessora Clenilde Bizerra. Participaram ainda a engenheira florestal, Ana Paula, os professores Gustavo e Margarida.


Programação dos Encontrinhos:


Regional Pará: 03 e 04/12 (sábado e domingo)

Regional Tocantins: 08 e 09/12 (quinta e sexta-feira)

Regional Imperatriz – município de Amarante – 10/11 (sábado e domingo)

Regional Baixada Maranhense: 15 e 16/12 (quinta e sexta-feira)

Regional Mearim/Cocais- município de Codó: 17 e 18/12 (sábado e domingo)

Regional Piauí: 19 e 20/12 (segunda e terça-feira)




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