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Miqcb participa de lançamento do Caderno de Conflitos no Campo 2018 da Comissão Pastoral da Terra

22-May-2019

 

"Nós somos ameaçadas de morte porque lutamos pela vida", enfatizou Rosa Gregoria, liderança do MIQCB durante lançamento do Caderno de Conflitos da CPT. As quebradeiras de coco babaçu infelizmente são estatísticas que integram  a publicação Conflitos no Campo Brasil 2018 da Comissão Pastoral da Terra (CPT) , lançada no último dia 21/05 no Auditório do Departamento de História da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), em São Luís.

 

O caderno apresentou uma triste realidade para o Maranhão. O Estado é o terceiro estado do Brasil em ações de pistolagem.  Foram 1.065 em ações de pistoleiros contra famílias em 2018. Foram registradas 201 conflitos no campo que envolveram 80.803 pessoas. Deste total, 199 são conflitos por terra e 2 trabalhistas. O Maranhão é o 6º estado com maior área em disputa: são 989.745 hectares. No ano passado, neste estado, de biomas Amazônia e Cerrado, 316 famílias foram despejadas; 1.638 famílias sofreram ameaças de despejo; 2.235 famílias sofreram tentativa ou ameaça de expulsão de suas terras; 462 tiveram suas casas destruídas; e 111 tiveram suas roças destruídas.

 

Nestes primeiros meses de 2019, a violência no campo já fez 11 vítimas, sendo dois casos de massacres no município de Baião, no Pará, com 6 mortes. Dois outros assassinatos ocorreram no Amazonas, dois no Mato Grosso e um na Bahia. Esses dados parciais evidenciam, novamente, a Amazônia Legal na liderança do ranking dos conflitos agrários.

 

O relatório que revela dos 28 assassinatos registrados, nenhuma morte violenta teria sido no Maranhão. Essa foi a primeira vez que o Estado não entrou na estatística nos últimos 33 anos. Em contrapartida, é grande a quantidade de pessoas que vivem ameaçadas aqui no Maranhão. Em todo o país são 165, sendo 57 pessoas nesta situação no estado, maior registro entre todos os estados brasileiros. Somente nos primeiros quatro meses deste ano, 11 mortes foram registrados no Brasil por consequência de conflitos no campo.

 

Essa é a 34ª edição do relatório anual que reúne dados sobre os conflitos e violências sofridas pelos trabalhadores e trabalhadoras do campo brasileiro, neles inclusos indígenas, quilombolas e demais povos tradicionais. Além dos dados sobre o estado, também foram debatidos as informações sobre a região da Amazônia Legal.

 

Confira alguns dados revelados pelo publicação Conflitos no Campo Brasil 2018

 

Dos 28 assassinatos que ocorreram no campo no Brasil em 2018, 24 estão na Amazônia Legal (16 no Pará, 6 em Rondônia, e 2 no Mato Grosso);

 

Das 28 tentativas de assassinatos que ocorrem no Brasil ano passado, 17 foram em estados da Amazônia Legal (10 no Pará, 3 em Rondônia, 1 no Maranhão, 1 no Mato Grosso, 1 no Tocantins e 1 no Amazonas);

 

Das 165 pessoas ameaçadas de morte, 121 estão na Amazônia Legal (57 no Maranhão, 49 no Pará, 6 em Rondônia, 4 no Mato Grosso, 2 no Amazonas, 1 no Acre, 1 em Roraima e 1 no Tocantins);

 

Das 197 prisões de trabalhadores e trabalhadoras, povos e comunidades tradicionais no Brasil, foram 158 nessa região amazônica;

E dos 27 casos de pessoas torturadas, 24 foram na Amazônia (20 no Pará, 2 em Rondônia e 2 no Maranhão).

 

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