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MIQCB realiza mutirão da quebra do coco babaçu no Cajueiro, ameaçado pela construção de um porto

7-Oct-2019

 

A troca de saberes resultou ainda mais no fortalecimento de uma cultura tradicional foi o que aconteceu no último final de semana no Cajueiro, zona rural de São Luís. Um encontro entre quebradeiras de coco babaçu da comunidade e mulheres da Baixada Maranhense e da região do Mearim do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) reafirmou ainda mais suas identidades como quebradeiras de coco babaçu. Foram dois dias de “Rodas de Conversa” sobre temáticas variadas: fortalecimento político, conservação ambiental, contextos social, todos voltados aos direitos produtivos e reprodutivos da mulher. As conversas aconteceram durante a quebra de 20 quilos de coco que renderão 10 litros de azeite, além da produção do bolo, biscoito e mingau da farinha do mesocarpo do babaçu.

 

Participaram da reunião, as coordenadoras regionais do MIQCB de Codó e de Viana, Francisca Maria Pereira, Barbara Vitória Balbina Torres, e a liderança na Baixada Maranhense, Rosa Gregória. Elas anunciaram que levarão à coordenação geral, a necessidade do Cajueiro ser inserido nas ações estratégicas do Eixo Terra/Território do MIQCB. A comunidade por sua vez demonstrou total interesse na continuação dessas ações. Para a quebradeira de coco babaçu e moradora do Cajueiro, Lucilene Cantanhede Rodrigues, a coletividade fortalece a luta e nosso modo de vida tradicional. “Sempre quebramos o coco babaçu no Cajueiro. Agora nos vemos ameaçadas com a presença dessa empresa chinesa para construção do porto, que a cada dia desrespeita a nossa privacidade e a nossa vida. É importante termos essas atividades em grupo direcionadas ao fortalecimento da luta pelo território”, desabafou.

 

Os frutos das palmeiras de babaçu do Cajueiro são excelentes para a produção da farinha de mesocarpo, que serve para a produção de biscoitos, bolos e mingau. Para Rosa Gregório, fundamental para a manutenção do bem viver da comunidade “é conservar a água, a palmeira, a criação dos animais, a coletividade dentro da individualidade, o modo de vida, tudo isso vivenciado dentro do território”.

 

Sobre o Cajueiro:

Na zona rural de São Luís (MA) fica a comunidade de Cajueiro, com cerca de 500 famílias. O território é marcado por constantes conflitos: a área está cercada por fábricas de cimento, por uma usina termoelétrica, duas fábricas de fertilizantes, usinas e refinarias da Vale, cuja estrada de ferro passa ao lado.  Em consequência, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Cajueiro está localizada numa das áreas mais pobres e desiguais do país e também é uma das mais poluídas - 4,5 vezes mais poluída que Cubatão (SP) nos anos 1990.

 

No último dia 12 de agosto, 21 casas foram derrubadas, sem a devida comunicação formal do cumprimento da decisão judicial pela Secretaria de Segurança Pública do Estado do Maranhão, aos prejudicados com antecedência mínima de 48h, na qual deveria constar a data e hora exatas em que seria realizada a desocupação. Ademais, não foi realizada reunião preparatória com a Comunidade, para a retirada de seus pertences, o que evitaria os conflitos testemunhados. Já segundo informações fornecidas pela Comissão de Direitos Humanos da OAB/MA, também não houve notificação prévia dos órgãos e entidades pertinentes (Ministério Público, Incra, Ouvidoria Agrária Regional do Incra, Ouvidoria Agrária Estadual, Ouvidoria do Sistema de Segurança Pública, Comissões de Direitos Humanos, Prefeitura Municipal, Câmara Municipal, Ordem dos Advogados do Brasil, Delegacia de Polícia Agrária, Defensoria Pública, Conselho Tutelar e demais entidades envolvidas com a questão agrária/fundiária), para fins de discutir os melhores termos para realizar a reintegração, nem mesmo para que estivessem presentes no momento da operação.

 

 

 

 

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