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Quebradeiras pela valorização da cultura por meio dos encantos da resistência e pela conservação ambiental

11-Dec-2019

 

 

Filhas da Mãe Palmeira, as quebradeiras de coco babaçu, organizadas por meio do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu, e com o apoio da União Europeia e da ActionAid, lançam as peças publicitárias sobre o trabalho de valorização da cultura da quebra do coco. As ações da campanha foram desenvolvidas ao longo do ano de 2019, com a realização de Oficina Fotográfica e Comunicação Comunitária, visita em setembro a três países na Europa, e, em dezembro, com o encerramento da ação com a veiculação das peças publicitárias produzidas ao longo dessas atividades.

 

Guardiãs dos Babaçuais em uma relação que conecta ciclos e gerações. Dessa relação simbiótica se conserva o território e se sustenta a tradição. O trabalho desenvolvido pela equipe de comunicólogos (jornalistas, designers, publicitários, cineastas) para a campanha publicitária teve o cuidado de expressar graficamente, visualmente e textualmente essa conexão, investigando as referências visuais desse universo para propor algo sensível e acolhedor, sem perder de vista a força e resistência que fazem parte das lutas diárias das quebradeiras de coco babaçu.

 

Entre os objetivos da campanha de valorização da cultura da quebra do coco babaçu estão: propiciar visibilidade às violações de direitos das quebradeiras de coco babaçu; aproximar e gerar identificação com as demandas das quebradeiras de coco babaçu por seu desenvolvimento sustentável e engajar a sociedade na luta pela defesa dos modos de vida das quebradeiras de coco babaçu. Todos os objetivos no âmbito nacional e internacional.

 

A campanha foi trabalhada tendo como contexto o manifesto aprovado pelas quebradeiras de coco babaçu (na íntegra todo o texto abaixo).  Acompanhe e compartilhe o material nas redes sociais do MIQCB: facebook e site.

 

Viagem a Europa

 

Inglaterra, Bélgica e França conheceram um pouco mais do modo de vida das quebradeiras de coco babaçu. De 24 de setembro a 12 de outubro, um grupo de mulheres visitaram instituições financiadoras, universidades e o parlamento europeu apresentando os desafios da cultura da quebra do coco babaçu pelos quatro estados brasileiros: Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins. Além de buscar agentes financiadores estrangeiros  para os projetos do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB).

 

A atividade integra o projeto “Mulheres Quebradeiras de Coco Babaçu em Defesa do Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais”, apoiado pela União Europeia em parceria com a agência de combate a pobreza ActionAid. Para a coordenadora geral do MIQCB, Maria Alaídes Alves Sousa, a visita as instituições da sociedade civil e políticas desses países é estratégico para o fortalecimento da luta dos povos e comunidades tradicionais.

 

Saiba mais: 

 

Oficina de Fotografia e comunicação comunitária

 

Muita sensibilidade, autenticidade e naturalidade para contar uma história, onde o protagonismo é das quebradeiras de coco babaçu. Foi o que aconteceu nas Oficinas de Comunicação Comunitária e de Fotografia ministradas para as mulheres que representam a cultura da quebra do coco babaçu. Durante uma semana, a capacitação foi ministrada para as regionais.

 

A atividade fez parte do projeto Mulheres Quebradeiras de Coco Babaçu em Defesa do Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais, apoiado pela União Europeia e desenvolvido pela agência internacional de combate à pobreza, ActionAid. O fortalecimento à luta pelo acesso livre ao território, pela conservação das florestas de babaçus e pela garantia dos direitos utilizando estratégias e ferramentas de comunicação foi trabalhado na oficina de Comunicação Comunitária, ministrada pela jornalista Yndara Vasques. As atividades são preparatórias para uma campanha internacional de valorização da cultura da quebra do coco babaçu a ser lançada pela Europa. A fotografa Bruna Valença, cujo trabalho é direcionada para o universo feminino, dialogou sobre as técnicas de fotografia e importância das próprias quebradeiras de coco babaçu registrarem a sua própria história por meio do auto retrato.

 

Saiba mais: 

 

 

Manifesto

 

QUEBRADEIRAS: OS ENCANTOS DA RESISTÊNCIA PELA CONSERVAÇÃO

 

Há pelo menos 3 gerações encontramos nosso bem viver na palmeira babaçu. O coco que ela nos dá vira de tudo em nossas mãos: é o que nos mobiliza pela conservação da natureza ao nosso redor e das comunidades nativas da nossa região; é o alimento que nos sustenta; é o teto que nos abriga;

 

Filhas da Mãe Palmeira, nossos corpos e ciclos de mulher possuem muito em comum com a natureza do babaçu. Assim como nós, que geramos vida em 9 meses, a palmeira babaçu amadurece o cacho de coco nesse mesmo tempo. O coco babaçu que nos alimenta remete ao formato dos nossos seios que alimentam nossas crias. Nós, quebradeiras, somos irmãs do leite de babaçu, que nutre as nossas famílias desde a infância. E é por essa relação simbiótica com o babaçu que levamos com honra o título de Guardiãs dos Babaçuais.

 

Nossa história enquanto povo tradicional foi construída pelas mãos calejadas de mulheres fortes. Com a beleza e a firmeza de uma luta travada por mulheres. Se antes nossa atividade era desvalorizada, hoje estampamos o orgulho de preservar nosso sustento e tradições, mesmo diante das dificuldades que sempre nos foram impostas. Ser quebradeira é uma escolha feita por cada uma de nós. Uma escolha desafiadora, mas repleta de força e luz e encarada com muita alegria.

 

Ao longo dos anos de luta, conquistamos respeito e reconhecimento dentro e fora do Brasil. Nossa principal conquista foi a autonomia que alcançamos por meio de cada coco quebrado, por nossa união. Conquistamos um papel político importante como mobilizadoras, numa caminhada com outros povos tradicionais. Conquistamos visibilidade e a possibilidade de oferecer melhores condições às nossas famílias - e com isso, conquistamos dignidade.

 

Mas as cercas seguem avançando e isolando as florestas de babaçu, cerceando assim nosso bem viver. E se a resistência contra o livre acesso aos territórios segue avançando, a nossa resistência pelo babaçu livre segue se fortalecendo.

 

Seguiremos lutando pela conservação dos babaçuais, pelo acesso ao território, pela preservação da nossa identidade cultural e pela manutenção de tudo o que conquistamos de uma forma tão bela.

 

Não existimos sem as florestas de babaçu, sem nossa Mãe Palmeira. E se não resistirmos, as florestas também deixarão de existir.

 

 

 

 

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