Campanha de valorização da cultura da quebra do coco babaçu é destaque na imprensa maranhense

5-Feb-2020

 

 

 

Uma reportagem completa sobre a campanha internacional de valorização da cultura da quebra do coco babaçu foi destaque na edição do Jornal Pequeno do último domingo. A campanha tem o apoio da União Europeia e da ActionAid, agência de combate à pobreza. 

 

Filhas da Mãe Palmeira, as quebradeiras de coco babaçu, organizadas por meio do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu, e com o apoio da União Europeia e da ActionAid, lançam as peças publicitárias sobre o trabalho de valorização da cultura da quebra do coco. As ações da campanha foram desenvolvidas ao longo do ano de 2019, com a realização de Oficina Fotográfica e Comunicação Comunitária, além da visitação, no final do ano passado, a três países na Europa, e, em dezembro, com o inicio da veiculação das peças publicitárias produzidas ao longo dessas atividades. 

 

Guardiãs dos Babaçuais em uma relação que conecta ciclos e gerações. Dessa relação simbiótica se conserva o território e se sustenta a tradição. O trabalho desenvolvido pela equipe de comunicólogos (jornalistas, designers, publicitários, cineastas) para a campanha publicitária teve o cuidado de expressar graficamente, visualmente e textualmente essa conexão, investigando as referências visuais desse universo para propor algo sensível e acolhedor, sem perder de vista a força e resistência que fazem parte das lutas diárias das quebradeiras de coco babaçu.


As quase 400 mil quebradeiras de coco babaçu também lutam pelo reconhecimento identitário e político, pelo acesso livre ao território “é uma condição para poder existir e ser o que se é”, enfatizou Bárbara Vitória Balbina, coordenadora do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu, que atua em quatro estados brasileiros (Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins) e seis regionais. 


A história é parecida por todo o país. Especulação imobiliária, grandes fazendas agropecuárias, plantações de grãos ou eucalipto, mineração, estradas, barragens, parques eólicos e até unidades de conservação ambiental: são múltiplas as ameaças que têm feito, ao longo dos anos, comunidades tradicionais como a das quebradeiras de coco babaçu em todo Brasil vivenciarem conflitos fundiários e muitas acabaram sendo expulsas das terras, onde seus bisávos, avós e pais moravam. 


O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) foi iniciado há quase trinta anos em um processo de aglutinação de iniciativas de resistência à devastação dos babaçuais. Esses processos foram formados por grupos informais de mulheres, clube de mães e associações de trabalhadoras rurais que sofriam pressões de “novos proprietários”, ou seja, grileiros e pecuaristas atraídos por incentivos governamentais para ocupação e expansão da fronteira agrícola em territórios antes ocupados por essas populações tradicionais. Atualmente é o maior movimento de mulheres da América Latina, envolve cerca de 400 mil mulheres em quatro estados brasileiros: Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins. 


“Ao longo dos anos de luta, conquistamos respeito e reconhecimento dentro e fora do Brasil. Nossa principal conquista foi a autonomia que alcançamos por meio de cada coco quebrado, por nossa união. Conquistamos um papel político importante como mobilizadoras, numa caminhada com outros povos tradicionais. Conquistamos visibilidade e a possibilidade de oferecer melhores condições às nossas famílias - e com isso, conquistamos dignidade”, enfatizou Maria Alaídes, coordenadora do MIQCB. 

 

Objetivos da campanha de valorização da cultura da quebra do coco babaçu

 

Entre os objetivos da campanha de valorização da cultura da quebra do coco babaçu estão: propiciar visibilidade às violações de direitos das quebradeiras de coco babaçu; aproximar e gerar identificação com as demandas das quebradeiras de coco babaçu por seu desenvolvimento sustentável e engajar a sociedade na luta pela defesa dos modos de vida das quebradeiras de coco babaçu. Todos os objetivos no âmbito nacional e internacional. 

Inglaterra, Bélgica e França conheceram um pouco mais do modo de vida das quebradeiras de coco babaçu. Um grupo de mulheres visitaram instituições financiadoras, universidades e o parlamento europeu apresentando os desafios da cultura da quebra do coco babaçu pelos quatro estados brasileiros: Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins. Além de buscar agentes financiadores estrangeiros  para os projetos do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB).
 
A atividade integra o projeto “Mulheres Quebradeiras de Coco Babaçu em Defesa do Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais”, apoiado pela União Europeia em parceria com a agência de combate a pobreza ActionAid. Para a coordenadora geral do MIQCB, Maria Alaídes Alves Sousa, a visita as instituições da sociedade civil e políticas desses países é estratégico para o fortalecimento da luta dos povos e comunidades tradicionais.

 
Oficina de Fotografia e comunicação comunitária 

 

Muita sensibilidade, autenticidade e naturalidade para contar uma história, onde o protagonismo é das quebradeiras de coco babaçu. Foi o que aconteceu nas Oficinas de Comunicação Comunitária e de Fotografia ministradas para as mulheres que representam a cultura da quebra do coco babaçu. Durante uma semana, a capacitação foi ministrada para as regionais. 

 

O fortalecimento à luta pelo acesso livre ao território, pela conservação das florestas de babaçus e pela garantia dos direitos utilizando estratégias e ferramentas de comunicação foi trabalhado na oficina de Comunicação Comunitária, ministrada pela jornalista Yndara Vasques. As atividades foram preparatórias para uma campanha internacional de valorização da cultura da quebra do coco babaçu a ser lançada pela Europa. A fotografa Bruna Valença, cujo trabalho é direcionada para o universo feminino, dialogou sobre as técnicas de fotografia e importância das próprias quebradeiras de coco babaçu registrarem a sua própria história por meio do auto retrato.

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