EM DEFESA DA VIDA, ENTIDADES PEDEM CONTINUIDADE DO ISOLAMENTO NO MARANHÃO

31-Mar-2020

 

O Movimento Interestadual de Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o Centro de Cultura Negra – Negro Cosme (CCN) e a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) protocolaram na tarde desta segunda (30) uma carta ao governador do Maranhão, Flávio Dino, reivindicando a continuidade do isolamento total para combater a propagação do coronavírus no estado.

A articulação se deu diante da solicitação de entidades e grupos de empresários ao governo do Maranhão, para que haja a reabertura gradual do comércio a partir do dia 04/04. Em contraposição, movimentos populares exigem que o governador não ceda à pressão de empresários que reivindicam o fim do isolamento.

Importante lembrar que ainda não há uma expansão dos testes e o volume de testagem ainda é baixo, gerando subnotificação, além demora nos resultados confirmatórios.

As entidades pedem que se respeitem as orientações dos organismos nacionais e internacionais de saúde, além de apontar os riscos para as populações mais vulneráveis caso o isolamento seja quebrado, como é o caso dos povos indígenas, comunidades rurais e demais povos tradicionais.

 

Confira o teor da Carta: 

 

Prezado Governador e Secretários de Estado,
    A sociedade maranhense tem acompanhado atentamente o desenvolvimento calamitoso da COVID 19 em todo o mundo nos últimos meses e é patente a necessidade da não repetição de erros graves como aqueles em que incorreu a Itália ao não seguir em tempo hábil os protocolos de rígido isolamento social horizontalizado orientados pela Organização Mundial de Saúde – OMS e reafirmados pela recente pesquisa do Imperial College, de Londres, que aponta a elevação de mortes no Brasil caso não ocorra a adoção dessa medida.
    Observamos a chegada da COVID 19 ao Brasil e ao Maranhão com bastante preocupação pois sabemos que nossas mazelas internas, como nossos índices nacionais de tuberculose (30 por 100 mil habitantes), fragilizam a população com destaque para aquela que vive em sistemas precários de moradia assim como a população carcerária na qual a tuberculose chega a 2.500 pessoas para cada 100 mil habitantes. Destacamos também a vulnerabilidade a que estão submetidas as comunidades quilombolas,  indígenas e de assentados pela ausência de equipamentos públicos de saúde em seus territórios. Pesquisadores da FioCruz já apontam, inclusive, para a tendência de que a média de idade dos contaminados no Brasil seja muito mais jovem do que na Itália justamente pelas nossas condições sócio-econômicas. Fora que não se sabe a extensão dos danos dessa doença aos sobreviventes.
    Diante desse cenário, solicitamos ao Governador Flávio Dino que prossiga tomando as medidas de proteção à população maranhense com base nas orientações das instituições de saúde como a OMS e congêneres que apontam para o isolamento social total como única forma de conter o avanço da COVID 19, assim como amplo sistema de testagem como empreendeu, com êxito, a Coreia do Sul. Destacando que o isolamento deve permanecer pelo tempo necessário, a partir de parâmetros científicos, para que a população não pereça das consequências de uma quarentena mal cumprida a qual traria sequelas seríssimas para nossa gente cujas condições de moradia e de vida não comportam o isolamento social verticalizado.
    Nesse mesmo sentido, e em harmonia com as experiências de outros países, solicitamos ao governo do estado que não flexibilize o isolamento social nos próximos 30 (trinta) dias, momento em que o cenário seria reavaliado. Incorrer em flexibilização nessa etapa de desenvolvimento da COVID 19 seria perigoso para nosso povo haja vista essa estratégia de flexibilização já ter se mostrado uma catástrofe em vários países quando aplicada em momento que a epidemia correspondente ao que estamos passando aqui em nosso Estado.
    Finalizamos demarcando a necessidade de que o governador Flávio Dino faça valer suas prerrogativas constitucionais que lhe apontam o dever de proteger a população do Estado que governa de toda e qualquer ameaça sanitária ainda que isso vá de encontro a pressões internacionais, nacionais e até mesmo de agentes do capitalismo local. Nossa gente permanecerá atenta aos direcionamentos que a autoridade máxima do Poder Executivo de nosso Estado dará sobre a COVID 19 imbuídos da certeza de que não recuaremos na exigência das garantias da nossa saúde e bem estar. Flexibilização é genocídio!!!
#FechaTudoFlavioDino
#NenhumaVidaAMenosMa
#QueroMeusAvosVivos


Atenciosamente,

 

Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST


Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu – MIQCB


Articulação dos Povos Indígenas do Brasil – APIB 

 


Centro de Cultura Negra do Maranhão – CCN


São Luís 30 de Março de 2020

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